A gestão de riscos é uma disciplina essencial para qualquer organização, pública ou privada. Seu papel central é proteger ativos, preservar a reputação e garantir que os objetivos estratégicos sejam alcançados de forma sustentável.
Definição e Propósito da Gestão de Riscos
A gestão de riscos pode ser definida como um processo contínuo e coordenado que auxilia uma organização a lidar com incertezas. Essas incertezas podem gerar efeitos positivos, chamados de oportunidades, ou negativos, conhecidos como ameaças. O propósito central desse processo é a criação e a proteção de valor. Além disso, a gestão de riscos melhora o desempenho, incentiva a inovação e apoia a tomada de decisões estratégicas.
Objetivos do Gerenciamento de Riscos segundo o COSO ERM
O modelo COSO ERM (Enterprise Risk Management) é referência internacional e estabelece os principais objetivos da gestão de riscos corporativos:
- Alinhar o apetite a risco à estratégia: os administradores avaliam riscos e definem limites de tolerância.
- Fortalecer decisões: amplia a capacidade de escolher entre respostas possíveis, como evitar, reduzir, compartilhar ou aceitar riscos.
- Reduzir surpresas e perdas operacionais: permite identificar eventos antecipadamente e preparar respostas adequadas.
- Gerenciar riscos múltiplos: trata de forma integrada os impactos inter-relacionados.
- Aproveitar oportunidades: ao considerar todos os cenários, a organização se posiciona de forma proativa.
- Otimizar o capital: informações claras sobre riscos orientam a alocação eficiente de recursos.
Modelos de Referência em Gestão de Riscos
COSO ERM
O COSO ERM possui duas versões:
- 2004: apresenta oito elementos, como ambiente interno, fixação de objetivos, identificação e avaliação de eventos, resposta ao risco, atividades de controle, comunicação e monitoramento.
- 2017: atualiza a abordagem, integrando riscos à estratégia e desempenho. Os cinco componentes são: Governança e Cultura; Estratégia e Objetivos; Performance; Revisão e Monitoramento; Informação e Comunicação.
ABNT NBR ISO 31000:2018
A norma ISO 31000 traz princípios, estrutura e processo. Entre os princípios, destacam-se: integração às atividades, abordagem estruturada, personalização ao contexto, inclusão das partes interessadas, dinamismo, uso da melhor informação disponível, consideração dos fatores humanos e busca pela melhoria contínua. O processo de gestão inclui etapas como comunicação, estabelecimento de escopo, avaliação de riscos (identificação, análise e avaliação), tratamento, monitoramento e registro.
Modelo das Três Linhas
Criado pelo Institute of Internal Auditors (IIA), este modelo organiza papéis e responsabilidades:
- Primeira Linha: gestores operacionais, responsáveis pela execução direta e controle diário.
- Segunda Linha: funções de supervisão, como compliance, controladoria e gestão de riscos.
- Terceira Linha: auditoria interna, que oferece avaliação independente da eficácia da governança e do gerenciamento de riscos.
Práticas Comuns de Gestão de Riscos
Além dos modelos formais, boas práticas fortalecem o processo:
- Comprometimento da alta direção: líderes devem dar exemplo e apoiar estruturas de governança.
- Cultura de risco consciente: valores éticos e responsabilidade precisam permear a organização.
- Capacitação contínua: treinamentos garantem que todos compreendam seu papel no gerenciamento de riscos.
- Ferramentas integradas: softwares de GRC e métodos como SWOT auxiliam na análise e priorização.
- Gestão da continuidade de negócios: planos preventivos reduzem os impactos de incidentes.
- Lições aprendidas: após cada evento, deve-se revisar o mapa de riscos para evitar reincidências.
- Comunicação eficaz: informações devem fluir entre todos os níveis e também para stakeholders externos.
Integração e Melhoria Contínua
Uma característica essencial da gestão de riscos é a dinamicidade. Os riscos mudam ao longo do tempo, surgem de forma inesperada ou deixam de existir. Por isso, o processo exige monitoramento constante, revisão de políticas e adaptação às novas realidades.
Ao integrar riscos e oportunidades no planejamento estratégico, a organização fortalece a tomada de decisões e otimiza a criação de valor. Esse movimento só é possível com liderança comprometida, engajamento coletivo e visão de longo prazo.
Entender as boas práticas de gestão de riscos significa dominar conceitos fundamentais que permeiam a administração, a governança e a regulação. Mais do que decorar definições, é essencial compreender como os modelos se aplicam e como eles contribuem para organizações mais resilientes, eficientes e inovadoras.
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