Controles interno e externo

A gestão de riscos é um tema central para quem estuda administração pública, governança corporativa e controle da gestão. Dentro dela, os controles interno e externo são fundamentais para assegurar que os objetivos de uma organização ou de um ente público sejam alcançados com legalidade, eficiência e transparência.

O que são Controles Internos?

O controle interno é um processo conduzido pelo conselho de administração, pela diretoria e por todo o corpo de colaboradores. Seu propósito é oferecer segurança razoável em três áreas:

  1. Operações: garantir eficácia e eficiência;
  2. Comunicação: assegurar confiabilidade das informações;
  3. Conformidade: cumprir leis e regulamentações.

Trata-se de um processo contínuo, que vai além de manuais ou formulários. É executado por pessoas e, portanto, sujeito a limitações como erros, falhas ou até fraudes. Apesar disso, desempenha um papel essencial no gerenciamento de riscos.

Características dos Controles Internos

  • Processo Contínuo: envolve ações permanentes em todas as atividades da entidade.
  • Fator Humano: depende do julgamento e da conduta dos colaboradores, podendo sofrer falhas.
  • Segurança Razoável: não garante certeza absoluta, pois há limitações como conluio e custos.
  • Adaptabilidade: deve ajustar-se ao tamanho e à complexidade da organização.

Componentes do Modelo COSO I

O COSO I é referência mundial para controles internos. Ele apresenta cinco componentes inter-relacionados:

  1. Ambiente de Controle: define o tom da organização, incluindo valores éticos e cultura de risco.
  2. Avaliação de Riscos: identifica e analisa riscos que podem comprometer objetivos.
  3. Atividades de Controle: políticas e procedimentos que mitigam riscos, como segregação de funções.
  4. Informação e Comunicação: fluxo contínuo de informações internas e externas.
  5. Monitoramento: avaliações constantes ou independentes para ajustar os controles.

Tipos de Controle Interno

  • Administrativo: exercido pelos gestores em sua rotina, envolvendo planos de organização e proteção de ativos.
  • Avaliativo: vinculado ao Sistema de Controle Interno de cada Poder, que fiscaliza a gestão orçamentária, patrimonial, financeira e contábil.

O que são Controles Externos?

O controle externo ocorre quando um órgão fiscaliza outro sem fazer parte de sua estrutura. No Brasil, é exercido principalmente pelo Congresso Nacional, com apoio do Tribunal de Contas da União (TCU), além do Poder Judiciário.

Ele abrange a fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial, verificando:

  • Legalidade;
  • Legitimidade;
  • Economicidade;
  • Eficiência;
  • Eficácia.

Tipos de Fiscalização do Controle Externo

  • Contábil: verifica se os demonstrativos seguem as normas vigentes.
  • Financeira: avalia entradas e saídas de recursos, além da legalidade das despesas.
  • Orçamentária: confere a execução do Plano Plurianual (PPA), da LDO e da LOA.
  • Operacional: analisa eficiência, eficácia e economicidade da gestão.

Controle Externo Popular e Auditoria Externa

A Constituição Federal garante o controle externo popular, permitindo que qualquer cidadão examine contas municipais. Além disso, auditorias externas independentes também atuam como linhas adicionais de defesa, avaliando a integridade da gestão e fortalecendo a transparência.

Relação entre Controle Interno e Externo

Na Gestão de Riscos Corporativos (ERM), os controles internos são ampliados pelo modelo COSO ERM, que vai além da simples proteção patrimonial, abrangendo governança e estratégia.

Já o Modelo das Três Linhas de Defesa, do IIA (Institute of Internal Auditors), mostra como os níveis de controle se relacionam:

  1. Primeira Linha: gestores operacionais, que assumem riscos e implementam controles.
  2. Segunda Linha: áreas de supervisão, como compliance e controladoria.
  3. Terceira Linha: auditoria interna, que avalia de forma independente a eficácia dos controles.

Além disso, órgãos de controle externo, como os Tribunais de Contas, funcionam como linhas adicionais de defesa, atuando fora da estrutura organizacional, mas garantindo o equilíbrio da gestão.

Existe uma relação de complementaridade: os órgãos de controle interno têm a obrigação de comunicar imediatamente ao Tribunal de Contas qualquer irregularidade identificada, sob pena de responsabilidade solidária.

Os controles internos e externos formam um sistema integrado de fiscalização e governança, essencial para reduzir riscos, garantir transparência e assegurar a boa gestão pública.

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