Comunicação Contemporânea e a Internet

A Comunicação Contemporânea e a Internet representam um paradigma transformador que revolucionou a forma como interagimos, consumimos e partilhamos informações. A Internet, que se estabeleceu a partir dos anos 90 com o surgimento dos e-mails e fóruns de debate, sucedeu as fases anteriores da comunicação, como a oral, a escrita, a impressa (que levou à democratização do saber a partir de Gutenberg) e a de massa eletrônica (Rádio, TV e cinema, que eram predominantemente unidirecionais).

Princípios e Lógica da Comunicação Digital

A lógica da comunicação digital, segundo o professor Marcos Palácio (2001), baseia-se em princípios chave:

  1. Multimidialidade / Convergência: O processo de digitalização da informação que explora diversos formatos, como imagem, som e texto. A convergência de mídias, termo introduzido por Henry Jenkins, refere-se à utilização complementar de diversas mídias e à fusão de diferentes plataformas de comunicação.
  2. Interatividade: O leitor/usuário se sente parte do processo e pode interagir. A interatividade permite a troca de mensagens de muitos para muitos e se tornou uma característica fundamental.
  3. Hipertextualidade: Possibilita ao leitor acessar textos através de links, promovendo uma leitura não linear.
  4. Customização do Conteúdo / Personalização: O conteúdo se adapta ao que o usuário deseja consumir. Algoritmos recomendam notícias com base nos interesses do usuário, proporcionando uma experiência personalizada.
  5. Instantaneidade / Atualização Contínua: Permite que as notícias sejam divulgadas quase instantaneamente após os eventos e que novas informações sejam inseridas no texto à medida que os fatos acontecem.
  6. Memória: A possibilidade de acumular e disponibilizar informações em arquivos recuperáveis.

Teóricos Fundamentais e a Sociedade em Rede

Três grandes pensadores moldam o entendimento da comunicação na era digital:

  • Pierre Lévy: Concentra-se no impacto da Internet na sociedade. Defende que a Internet potencializa a Inteligência Coletiva, tornando o conhecimento colaborativo, onde cada pessoa contribui para enriquecer o coletivo.
  • Manuel Castells: Sociólogo que se dedicou ao estudo dos impactos da Internet, defendendo que ela cria uma nova forma de organização social: a Sociedade em Rede, que é descentralizada e global. Castells propôs o conceito de Autocomunicação de Massa, na qual os usuários são, simultaneamente, emissores e receptores, podendo produzir e consumir informações.
  • Zygmunt Bauman: Introduziu o conceito de Modernidade Líquida, que descreve as relações humanas (incluindo as comunicacionais) como frágeis, voláteis e superficiais. Bauman critica a cultura do “curtir” e “cancelar” por esvaziar o diálogo profundo, observando que a Internet cria redes de contato, mas não necessariamente de relacionamento.

O Jornalismo na Era Digital

O Jornalismo Digital transformou a maneira como se consome e se produz notícias, abrangendo todos os noticiários, sites e produtos que nasceram na web. Inicialmente, o jornal online era um mero reprodutor do conteúdo impresso, mas rapidamente adquiriu características próprias. O Webjornalismo é a prática específica de produção de notícias para a plataforma digital, explorando integralmente recursos como multimídia, hipertexto e interatividade para uma experiência dinâmica e envolvente.

Tópicos Emergentes e Desafios

A comunicação digital gerou impactos significativos, promovendo o acesso à informação, a democratização e o empoderamento de vozes. Exemplos incluem o engajamento político e social em eventos como a Primavera Árabe e os protestos no Brasil em 2013.

No entanto, a era digital apresenta desafios complexos:

  • Desinformação e Fake News: A disseminação rápida de informações exige um esforço maior de checagem de fontes e de combate à desinformação.
  • Vieses Algorítmicos: Os algoritmos e as “bolhas de informação” podem restringir a diversidade de fontes a que os usuários são expostos.
  • Superficialidade e Infoxicação: O excesso de informação (infoxicação, que é a junção de informação + intoxicação) dificulta o foco e o pensamento crítico.
  • Privacidade e Dados: A monetização da atenção e a vigilância algorítmica levantam preocupações sobre a privacidade e o uso de dados pessoais.
  • Inteligência Artificial (IA): A IA generativa está sendo adotada em diversas áreas da comunicação, como na produção, personalização e tradução de conteúdo, e no monitoramento de mídias. Seu uso, contudo, exige uma Comunicação Ética, com diretrizes que enfatizam a supervisão humana, a verificação de fatos e a transparência com o leitor sobre o uso da IA.

A comunicação em plataformas digitais tende a ser em tempo real (instantaneidade) e multimodal (uso de texto, imagem, áudio, realidade virtual). Essa mudança tem profundas implicações, exigindo que as organizações desenvolvam estratégias digitais eficazes baseadas no planejamento, na análise de dados e métricas, e na gestão de crises.

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