Noções de Inferência Estatística

A Estatística Inferencial tem como objetivo ir além dos dados já existentes, permitindo a tomada de decisões e a formulação de conclusões de caráter mais genérico sobre uma população. Diferentemente da estatística descritiva (ou dedutiva), que apenas analisa gráficos, tabelas, média e variância daquilo que já existe, sem sentido ampliativo, a inferencial busca fazer estimativas. A base da estatística inferencial são as amostras.

População e Amostra

  • População (N): É o conjunto universo de todos os elementos (pessoas, objetos, etc.) que compartilham uma característica comum e são objeto de estudo. É frequentemente difícil trabalhar com populações completas, pois a pesquisa pode ser cara, demorada e, muitas vezes, resultar em dados desatualizados. O estudo da população em sua totalidade é chamado de Censo, que é caro, lento e quase sempre desatualizado, embora admita erro processual zero e confiabilidade de 100%.
  • Amostra (n): É definida como qualquer subconjunto não vazio de uma população. Na estatística inferencial, trabalha-se com amostras em cerca de 90% das situações. A amostra precisa ser representativa da população. Se a amostra não for coletada de modo apropriado (aleatório), o estudo pode não ser válido, resultando em perda de tempo e dinheiro.

Estatística e Parâmetro

  • Parâmetro: É uma medida numérica que descreve alguma característica da população. Exemplos de simbologias de parâmetros populacionais incluem a média (μ), a variância (σ²), e o desvio padrão (σ).
  • Estatística (ou Estimador): É uma medida numérica que descreve alguma característica da amostra. O estimador é utilizado na estimação, que é a avaliação indireta de um parâmetro, baseada em cálculos de probabilidades através de uma amostra. Exemplos de simbologias de estatísticas amostrais são a média (), a variância (s²), e o desvio padrão (s).

Seleção de Amostra

Na Estatística Inferencial, a seleção de amostra é uma etapa fundamental, pois é por meio dela que conseguimos tirar conclusões sobre uma população inteira a partir da análise de um subconjunto representativo dessa população. Em outras palavras, como muitas vezes é impraticável ou impossível coletar dados de todos os elementos da população, utiliza-se uma amostra, e a qualidade dessa seleção influencia diretamente a precisão e a validade das inferências estatísticas.

Conceito de Amostra

Uma amostra é um subconjunto de elementos retirados de uma população, que é o conjunto total de elementos que queremos estudar.

  • População: conjunto total de indivíduos, objetos ou eventos com características comuns.
    Ex.: todos os clientes de um banco.
  • Amostra: subconjunto representativo da população.
    Ex.: 500 clientes selecionados aleatoriamente para responder a uma pesquisa de satisfação.

Objetivo da Seleção de Amostra

O objetivo é escolher uma amostra que:

  • Represente fielmente a população;
  • Permita inferências estatísticas confiáveis (como estimativas e testes de hipóteses);
  • Minimize vieses (distorsões nos resultados);
  • Reduza custos e tempo de coleta de dados.

Tipos de Amostragem

A seleção da amostra pode seguir diferentes métodos, geralmente divididos em probabilísticos e não probabilísticos.

Tamanho da Amostra

A determinação do tamanho da amostra depende de:

  • Tamanho da população;
  • Margem de erro aceitável;
  • Nível de confiança desejado;
  • Variabilidade dos dados.

Um tamanho inadequado pode levar a conclusões incorretas:

  • Pequeno demais: baixa precisão e alta margem de erro.
  • Grande demais: aumento de custo e tempo desnecessários.

Importância de uma Boa Seleção

Uma amostra mal selecionada pode introduzir vieses e comprometer toda a análise. Por isso, atenção aos princípios:

  • Representatividade
  • Aleatoriedade
  • Tamanho suficiente
  • Ausência de viés de seleção

Distribuições Amostrais

A Distribuição Amostral é definida como a distribuição de probabilidade dos estimadores. A distribuição de uma amostra aleatória, em geral, segue a distribuição populacional.

Distribuição Amostral da Média ()

O estudo da distribuição amostral da média é crucial na inferência estatística.

  • Esperança (Média) da Média Amostral: O valor esperado da média amostral (E[]) corresponde à média populacional (μ).
  • Variância da Média Amostral: É a variância populacional (σ²) dividida pelo tamanho da amostra (n), ou seja, σ²/n. A variância da média amostral diminui conforme o tamanho da amostra aumenta.
    • Para populações finitas e amostragem sem reposição, utiliza-se um Fator de Correção.
  • Desvio Padrão da Média Amostral (Erro Padrão): É o desvio padrão populacional dividido pela raiz quadrada de . É frequentemente usado na construção do intervalo de confiança para encontrar a margem de erro.

Teorema Central do Limite (TCL)

O TCL é fundamental.

  • Ele estabelece que, se amostras aleatórias de tamanho n (geralmente n ≥ 30) são retiradas de qualquer população com média μ e variância finita, a distribuição amostral das médias das amostras se aproxima da distribuição normal.
  • A média dessa distribuição amostral será μ e a variância será σ²/n.
  • Se a população já for normalmente distribuída, a distribuição amostral das médias será normalmente distribuída para qualquer tamanho de amostra (n).
  • Quanto maior o tamanho da amostra (n), mais a distribuição das médias se torna menos estendida e mais concentrada na média.

Distribuição Amostral da Proporção

O trabalho também pode ser feito com proporções. Quando a proporção populacional (p) é desconhecida, ela deve ser estimada a partir da proporção de sucessos na amostra.

  • Esperança do Estimador (Proporção Amostral): É igual à proporção populacional (p).
  • Variância do Estimador (Proporção Amostral): Envolve o valor de p (sucessos) e q (fracassos, onde q = 1-p). O Fator de Correção também pode ser aplicado para populações pequenas e sem reposição.

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