O Papel do Estado e a Atuação do Governo nas Finanças Públicas

As Finanças Públicas estudam como o governo arrecada recursos, por meio de tributos e crédito, e como os aplica em despesas para atender às necessidades da sociedade. Essa atividade, chamada de Atividade Financeira do Estado (AFE), envolve quatro eixos principais: arrecadação de receitas, gestão da dívida pública, execução do orçamento e realização de gastos.

Além disso, o Estado fornece bens e serviços (saúde, educação, defesa), cria regras para o funcionamento da economia, garante estabilidade e financia suas ações via tributação.

Eficiência de Mercado e Falhas de Mercado

Em teoria, o mercado competitivo tende a gerar eficiência (Teorema do Bem-Estar). No entanto, em situações de falhas de mercado, a intervenção estatal é necessária. As principais falhas são:

  • Externalidades: efeitos sobre terceiros não refletidos nos preços.
  • Bens públicos: não rivais e não excludentes, geram o problema do “carona”.
  • Assimetria de informações: seleção adversa e risco moral.
  • Monopólio natural: quando economias de escala tornam inviável a concorrência.
  • Desemprego: apontado por autores como Stiglitz como falha de mercado.

Externalidades

  • Negativas: custos sociais maiores que os privados (ex.: poluição). O governo pode corrigi-las com impostos Pigouvianos.
  • Positivas: benefícios sociais superiores aos privados (ex.: vacinas). Corrigem-se com subsídios.
  • Soluções privadas: segundo o Teorema de Coase, se os direitos de propriedade forem claros e os custos de transação baixos, agentes podem negociar sem intervenção estatal.
  • Tragédia dos Comuns: ocorre em recursos comuns, como pesca ou ar limpo, levando ao uso excessivo.

Bens Públicos e Semipúblicos

  • Bens Públicos Puros: não rivais (o uso por um não reduz a disponibilidade para outros) e não excludentes (não se pode impedir indivíduos de usufruírem do bem, mesmo que não paguem), só o Estado consegue ofertá-los adequadamente (ex.: segurança nacional).
  • Problema do Carona: as pessoas têm incentivo para não pagar voluntariamente, causando suboferta ou não provisão desses bens pelo setor privado. O governo os provê e financia via impostos.
  • Bens Semipúblicos/Meritórios: saúde e educação, que geram externalidades positivas, justificam provisão estatal.

Assimetria de Informações

  • Seleção Adversa: ocorre antes da transação, como no mercado de carros usados.
  • Risco Moral: acontece depois da transação, como em seguros, quando o comportamento muda por conta da cobertura.

Monopólio Natural e Poder de Mercado

Um monopólio natural surge em setores de altos custos fixos e custos médios decrescentes, como energia elétrica. O Estado regula ou produz diretamente para evitar abusos, pois a precificação apenas no custo marginal levaria a prejuízos.

Funções Clássicas do Governo (Musgrave)

  1. Função Alocativa: provisão de bens públicos, regulação e correção de falhas de mercado.
  2. Função Distributiva: busca reduzir desigualdades por meio de programas sociais e tributação progressiva.
  3. Função Estabilizadora: garante equilíbrio macroeconômico, controle da inflação e redução do desemprego.
  4. Função Reguladora: muitas vezes vista como extensão da alocativa, foca em ordenar e fiscalizar mercados.

Políticas Econômicas

Política Fiscal

Conjunto de decisões do governo sobre gastos públicos e tributação com o objetivo de influenciar a atividade econômica e a estabilização macroeconômica. Envolve arrecadação e gastos públicos. Pode ser:

  • Expansionista: aumento de gastos (G) ou redução de tributos (T). Aumenta a demanda agregada, produção e emprego.
  • Contracionista: corte de gastos ou aumento de tributos. Reduz a demanda agregada e combate a inflação
  • Estabilizadores automáticos: Mecanismos do sistema (como o imposto de renda progressivo e os subsídios ao desemprego) que reduzem as forças cíclicas automaticamente, sem intervenção discricionária.

Política Monetária

Executada pelo Banco Central, atua sobre crédito, juros e oferta de moeda, visando à estabilidade de preços (inflação) e ao máximo emprego sustentável.

  • Expansionista: reduz juros e amplia crédito (estimula consumo e investimento). Obtida pela compra de títulos, redução do compulsório ou redução da taxa de redesconto.
  • Contracionista: aumenta juros e restringe crédito (controla inflação). Obtida pela venda de títulos, aumento do compulsório ou aumento da taxa de redesconto.
  • Instrumentos principais: operações de mercado aberto, compulsório e taxa de redesconto.

Fundamentos da Tributação

A tributação é utilizada para financiar despesas e como instrumento de distribuição de renda.

Princípios básicos

  • Produtividade: arrecada mais do que custa.
  • Neutralidade: não distorce preços relativos.
  • Equidade: horizontal (iguais pagam iguais) e vertical (quem tem mais paga mais).
  • Capacidade contributiva: impostos progressivos.
  • Princípio do benefício: quem recebe mais do Estado deve contribuir mais.

Classificações

  • Impostos Diretos: IR, IPTU, IPVA. Incidem sobre a pessoa, renda ou patrimônio do contribuinte.
  • Indiretos: ICMS, IPI, ISS. Incidem sobre bens e serviços consumidos.
  • Progressivos: aumentam conforme o valor de referência evolui.
  • Regressivos: Alíquota diminui à medida que o valor de referência aumenta; tendem a onerar mais a população de menor renda, piorando a distribuição.

Conceitos importantes:

  • Curva de Laffer: Representa a relação côncava (em “U” invertido) entre a alíquota de um imposto e a receita tributária, indicando que aumentar impostos acima de um ponto ótimo pode diminuir a arrecadação.
  • Peso morto da tributação: O custo social dos tributos, que corresponde à perda de bem-estar social (perda de excedente do consumidor e do produtor) que excede a receita arrecadada pelo governo, gerando ineficiência econômica.
  • Natureza extrafiscal: Ocorre quando o Estado usa a tributação não apenas para arrecadar, mas para intervir na economia, estimulando ou desestimulando atividades (ex.: Imposto de Pigou).

Novo Arcabouço Fiscal

A Lei Complementar nº 200/2023 substituiu o teto de gastos. O crescimento das despesas está atrelado ao IPCA mais parte do crescimento real da receita (70% se a meta for cumprida, 50% se não). Há limite mínimo de 0,6% e máximo de 2,5% de crescimento anual da despesa.

👉 Quer mais resumos como este? Acompanhe nosso blog e prepare-se para o seu concurso!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Rolar para cima